
Não lembro em momento algum, de alguém me dizendo que as coisas seriam fáceis.
Não lembro mesmo.
Bem, pelo menos não fui enganada.
Todos os dias leio, ouço notícias nada boas. Notícias ruins, sem controle, algumas sem remédio, outras só com remédio amargo, enfim... Tipo, olhos abertos sem, contudo, ver um mundo melhor.
Suportar a realidade do que não mais existe requer imaginá-lo ainda no mesmo lugar.
Sofro de saudades de amigos, de lugares, de mim e de tanta coisa.
E bate aquela aflição por ser tão grandinha e ainda não ter percebido de verdade o que eu "quero ser quando crescer"..... hahahahaha...tem horas que eu acho graça de mim mesma.
Mas, diante dos meus pontos de interrogação, cheia de pavor eu fico assim, abobalhada, que nem uma criança.
Já tive (e tenho tido) despedidas sempre difíceis de aceitar, e nunca me ensinaram a lidar com adeus. Sempre acho que as pessoas foram ali na esquina, comprar um cigarro, e que logo voltam.
Mas assim, eu ando desconfiada de que não caibo mais onde me encontro, mas tenho uma leve suspeita de onde eu me contentaria em estar nesse momento.
Ah, não to falando de amores inventados, nem tão pouco das insônias adquiridas...
O mundo se faz e se desfaz, ao nosso comando, à nossa semelhança. A mente pode mais que o corpo.
Fechar os olhos e recriar o mundo é questão de sobrevivência. Nada é mais bonito do que o mundo recriado a partir da memória, fazendo do passado o ponto de fuga.
Enfim, ando (ou andei) envolta numa crise existencial toda minha e é muito engraçado perceber depois de um (curto) tempo que não pertenço ao clube dos cabisbaixos - não consigo me deprimir, não sei ser triste, muito menos melancólica.
Até sofro por antecipação. Mas não permaneço nela. Isso, definitivamente, não me pertence.
Fico por instantes com cara de blasé (como diria um amigo querido), ou um bico de mau humor, mas é só eu me descuidar por segundos que já me vejo dando boas e sonoras gargalhadas. Sou facilmente envolvida, quase atropelada por um sorriso que não cabe em mim!
Afinal, ser feliz, é só uma questão de opção!
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